11
nov

AUTO- CONFIANÇA, MOTIVAÇÃO E FOCO

As suas emoções ajudam-no ou prejudicam-no no calor da competição? As emoções durante uma competição podem contribuir para a excitação, mobilização e euforia ou para a frustração, raiva e decepção. As emoções são tremendamente poderosas, para o bom e para o mau, podem prejudicar a performance depois do atleta as ter sentido, ou pelo contrário, potenciar o seu desempenho.  As emoções têm o poder de ditar a qualidade de execução do atleta durante a competição.

As emoções negativas podem ser críticas durante a competição e prejudicarem o desempenho físico e mental. Numa fase inicial elas fazem com que o atleta perca o seu foco principal interferindo no grau de mobilização energética, aumentando a excitação emocional. Com o atleta num sentimento de frustração e irritação, a intensidade sobe e conduz a uma elevada tensão muscular, dificuldade na respiração e uma possível perda de coordenação. Há um pico energético seguindo-se uma perda descendente de energia. As emoções fazem com que o atleta gaste a sua energia mais rapidamente provocando o cansaço prematuro. Com a continuação do ciclo catastrófico, o desespero e o desamparo instala-se, a intensidade cai drasticamente e o atleta fica sem as capacidades físicas para uma boa execução.

Quando o atleta se encontra num estado de instabilidade emocional, as emoções disparam um conjunto de pensamentos depreciativos e incapacitantes. O atleta é afetado na confiança das suas habilidades para um bom desempenho, interferindo na obtenção dos resultados desejados. A confiança vai caindo e o atleta entra num ciclo de pensamentos negativos que comprovam as emoções negativas que sente. Dado que as emoções atingiram um estado de incapacidade elevado, o atleta irá sentir dificuldades de concentração naquilo que o pode ajudar a executar corretamente. As emoções negativas funcionam como um íman, agregando a atenção do atleta aos aspetos negativos do seu desempenho. Por último, as emoções negativas interferem ainda com os níveis de motivação para o desempenho, porque o atleta já não se sente bem e a competição tornou-se num calvário.

cats

AS EMOÇÕES NEGATIVAS DO PASSADO FUNCIONAM

COMO UM ADVERSÁRIO TENAZ

As emoções vêm de experiências passadas em situações atlética similares, expressam-se  na forma de crenças e atitudes que o atleta tem sobre a sua performance e competição. As emoções associadas às crenças e atitudes, são comummente conhecidas com o “saco” que o atleta carrega do passado. As percepções que o atleta tem acerca daquilo que lhe aconteceu no passado têm um impacto no presente, mesmo que as emoções não sejam apreciadas e o atleta tenha consciência que o estão a prejudicar. Um dos maiores problemas relacionados com as emoções que prejudicaram o atleta no passado, é que elas tornam-se um hábito que fazem com que o atleta  tenha uma resposta emocional automática em reacção a uma circunstância particular, mesmo que essa emoção faça mais estragos do que benefícios.

Exemplo: Quando você vê os atletas profissionais na TV, a perderem totalmente a cabeça e a serem  expulsos num jogo, facilmente podemos verificar que as emoções são auto-destrutivas para o atleta e para a sua equipe.

As emoções podem ser ativadas por inúmeras ocorrências durante a competição, erros insensatos, perdas infantis, erros de decisão, ou simplesmente um mau desempenho. Todos estes acontecimentos partilham dois pontos em comum, que têm a sua origem naquilo que causa as emoções negativas:

  • O atleta sente que o caminho para o seu objetivo está sendo dificultado.
  • O atleta não consegue ter controlo sobre a remoção do obstáculo.

Por exemplo, um jogador de ténis começa a perder para um adversário que julgava conseguir ganhar, no entanto, e apesar de todos os seus esforços não consegue reverter os pontos a seu favor. Nesta situação é provável que o tenista se sinta frustrado e irritado. Estas emoções no inicio podem ser vantajosas porque incrementam alguma energia e motivação para dar a volta ao resultado e voltar a estar numa situação confortável no jogo. Mas se ele não é capaz de mudar o rumo do jogo, então instala-se um sentimento de desespero e angustia, na qual o atleta admite para ele mesmo que  não pode vencer, o que pode levar à desistência.

Constatação: Por vezes o atleta não desiste da competição, mas desiste de tentar reverter a situação.

cats 1

A AUTO-PUNIÇÃO NÃO COMPENSA

Um passo perdido, alguns erros técnicos e táticos, ou ficar em desvantagens no início da competição, produzindo frustração e raiva, sentimentos que estão desproporcionais com a magnitude da falha. Por exemplo, um atleta, entrava numa luta emocional com ele próprio sempre que cometia um erro. O seu nível de desempenho entrava em declínio e começava a sentir-se terrivelmente angustiado sobre o seu tipo de jogo e sobre si mesmo. Até ao final do encontro, ele era depreciado e derrotado pelas suas próprias emoções. Claramente a auto-punição não compensava.

O atleta deverá fazer um esforço para se certificar se as emoções que está a sentir são proporcionais aquilo que as está a causar. O atleta deverá perguntar a si mesmo até que ponto alguns dos erros que cometeu estão a magoar os seus sentimentos. Neste momento o atleta deverá tentar entender se está a ser honesto com ele próprio. Quando a severidade do castigo excede a gravidade da “sujeira” que fez, o atleta pode ter perdido a perspetiva do quão importante o desporto que pratica ou a competição que realiza é para a sua vida. Ainda que o atleta possa ficar aborrecido com os erros que cometeu, ou com o curso que a competição está a levar, valerá mesmo a pena deixar-se incapacitar pelas emoções negativas e entrar numa espiral de negatividade e descontrolo, prejudicando-se ainda mais? Certamente que não.

O atleta deverá tentar perceber até que ponto as emoções sentidas vão ajudar ou prejudicar a sua performance esportiva. As emoções negativas podem contribuir para a melhoria da performance no início em que são sentidas, porque aumentam a intensidade do investimento na tarefa e podem contribuir para que o atleta lute com mais garra. Mas, depois vem o reverso da medalha, passado um curto tempo o atleta pode perder o foco naquilo que deve (técnica, tática, observação do adversário, relaxamento, tranquilidade) e o desempenho diminui, entrando numa espiral negativa. As reacções exageradas às emoções negativas normalmente prejudicam a performance, impedindo o atleta de atingir os resultados desejados. É comum os atletas perante estas reacções desajustadas sentirem-se frustrados, zangados e deprimidos, agindo de forma imprudente (agressividade, amuo, desistindo) assegurando desta forma o fracasso ao invés de tentar ajudar-se no restabelecimento do seu equilíbrio emocional.

AS EMOÇÕES NEGATIVAS SÃO UMA REACÇÃO POSITIVA, PORQUÊ?

As emoções negativas podem fazer o atleta sentir-se desapontado quando comete erros ou tem um mau desempenho.De fato, o atleta deve sentir-se dessa forma. Isto quer dizer que o atleta leva em consideração o seu esporte e que  propõe-se sempre a fazer melhor. O atleta sente-se mal, porque gostaria de ter um bom desempenho, assim sendo, as emoções negativas têm a sua causa em algo positivo. Quanto mais significativa for a competição, mais intensas serão as emoções. Mas, quando as emoções negativas se fazem sentir com grande magnitude e accionam a sua função auto-sabotadora, o atleta fica numa situação de desvantagem competitiva. No entanto, existem muitos atletas que apesar de sentirem emoções negativas muito fortes, conseguem, regulá-las, impedindo desta forma que possam afetar as suas habilidades motoras.

Considere um dos melhores atletas do mundo. Certamente, o esporte é bastante importante para ele porque é a sua paixão e igualmente a sua forma de vida. Quão aborrecido ficará quando tem um mau desempenho ou perde? Alguns também ficam chateados. Mas, geralmente considerando-se o esporte como sendo de grande  importância para eles, a maioria dos grandes atletas lida com os erros e perdas muito bem. Na verdade, uma razão pela qual os melhores atletas do mundo são executantes de topo, é porque eles têm a habilidade de gerir as suas emoções em vez de serem controlados pelas suas emoções.

cats

AMEAÇA EMOCIONAL  OU DESAFIO EMOCIONAL

No cerne da ameaça emocional está a percepção de que vencer é extremamente importante e o fracasso é inaceitável. A ameaça emocional está na grande maioria das vezes relacionada com a grande ênfase em vencer, nos resultados e nas classificações. A pressão para ganhar, dos pais, treinadores e dos próprios atletas é bastante comum. Com este conjunto de crenças inadequadas, é fácil perceber porque a competição nos esportes pode ser algo emocionalmente ameaçador.

A ameaça emocional manifesta-se numa “cadeia de emoções negativas”, em que cada elo psicológico separadamente e cumulativamente, faz com que o atleta se sinta mal e  prejudique a sua performance. A reacção mais comum a uma ameaça é o desejo de evitar essa ameaça. Isto faz despertar no atleta uma perda de motivação para competir, especialmente quando a ameaça de vir a perder seja imediata. Por exemplo, quando o atleta está mal qualificado (pensando em desistir devido à perda de motivação). A ameaça emocional também pode levar o atleta a pensar que é incapaz de ultrapassar a situação de desvantagem, perdendo a confiança e ficando angustiado com os pensamentos negativos e derrotistas. A sensação de ameaça produz no atleta  emoções negativas muito fortes, como o medo, fúria, frustração, desespero e desesperança.

A ameaça emocional também causa ansiedade e todo o tipo de sintomas físicos negativos. Com o atleta neste estado de incapacidade emocional, faz com que lhe seja praticamente impossível focar-se de forma efetiva, devido à presença de um inúmero conjunto de coisas negativas que inibem a capacidade de dirigir a atenção para o que é favorável  à obtenção de um bom desempenho.

Em contraste, o desafio emocional está associado à apreciação da atividade esportiva, independentemente do atleta alcançar os seus objetivos. A ênfase está no divertimento, vendo a competição como estimulante e enriquecedora. O esporte, quando visto como um desafio emocional, é uma experiência deslumbrante, pois o atleta procura superar-se e retirar gozo e alegria em todas as oportunidades. Assim, o desafio emocional é altamente motivador, ao ponto em que o atleta tira proveito e satisfação de estar numa situação de pressão. Alguns atletas, precisam de sentir este tipo de pressão para conseguirem colocar-se no seu melhor estado competitivo, para conseguirem ativar-se ao ponto de colocarem todo o seu potencial em ação, sem entraves nem limitações.

O desafio emocional comunica ao atleta que ele possui a capacidade para cumprir com as exigências do seu esporte, de tal forma que se sente confiante e preenchido de pensamentos positivos.O desafio emocional gera tantos pensamentos positivos como excitação, alegria e satisfação. Estimula também o corpo do atleta para atingir uma intensidade ótima, ficando com o corpo relaxado, energizado, e fisicamente capaz de ter um desempenho a um nível elevado. O atleta fica ainda num estado que facilita o foco de atenção, permitindo que fique totalmente concentrado naquilo que potencia o máximo rendimento esportivo. Todos estes estados que completam o desafio emocional conduzem o atleta à vantagem competitiva.

IMG-20151008-WA0016

Por Miguel Lucas em Psicologia do Desporto

WWW.BYJAPAO.COM.BR

https://www.youtube.com/channel/UCYGPLfo8KhRkrxJFf0bMe0g

Veja também

Comentários