31
ago

COMO FICAR MAIS RÁPIDO?

“- O que posso fazer para ficar mais rápido?”
Essa é uma das perguntas mais frequentes que, como treinador, me é feita, seja por triatletas, ciclistas ou corredores, seja por amadores ou por altetas iniciantes da categoria elite.
A maioria tende a focar estritamente no “treino chave”, por entender que o cumprimento exato da planilha, dos intervalos, dos paces alí estabelecidos será o único responsável para se atingir novos patamares. Há também aqueles que se atêem aos equipamentos, como muitos ciclistas preocupados em fazer aquisições dos lançamentos que podem diminuir um grama de sua bicicleta.
Nestes trinta e três anos envolvido com esportes de resistência, uma das maiores lições que aprendi é que a coerência e o compromisso com as pequenas coisas são fundamentais para o sucesso.
Penso, inclusive, que esses dois fatores que devem coexistir, de maneira a conferir a devida atenção ao trabalho de força funcional , à nutrição e, sobretudo, à recuperação.
Grande parte dos atletas atende à recomendação de incorporar em seu planejamento, o treinamento de força e de flexibilidade. E, objetivando afastar a possibilidade de “quebra”, adotam um plano nutricional como um importante suporte.

crio

No entanto, com relação ao quesito recuperação, percebo uma falha muito comum e que merece ser destacada. Trata-se justamente da falta de foco na recuperação.
“Mais (treino) é melhor”? Nem sempre. Focar apenas nas sessões de treino, sobrecarregando em velocidade ou volume pode afastar o atleta de fazer pequenas coisas que o ajudariam a se recuperar para a próxima sessão de treinamento.
Ultimamente, a Crioterapia (imerssão no gelo) vem sendo bastante divulgada, possivelmente devido ao sucesso entre os maratonistas, como Paula Radcliffe e Meb Keflezighi que anuniaram a esta prática.
A teoria geral por trás da crioterapia consiste na exposição ao frio como meio de combater os microtraumas (micro lesões) nas fibras musculares resultantes de dores causadas pelo exercício intenso ou repetitivo.
Dessa forma, o banho de gelo é usado para causar uma vasoconstrição, eliminar toxinas e reduzir o inchaço e a ruptura do tecido. Posteriormente, com o aquecimento do tecido e do aumento da circulação sanguínea, inicia-se o processo de “cura”.
Além disso, a submersão no banho de gelo tem a vantagem de possibilitar o tratamento de uma grande área da musculatura, ao invés de se limitar a uma área pequena e concentrada sob um bloco de gelo localizado.

images-tile

Então, a submersão no banho de gelo deve ser uma dessas atividades a ser incorporada na rotina para ajudar a ganhar uma vantagem sobre os concorrentes?
Ainda não há uma resposta afirmativa unânime a esta pergunta. A investigação, até a presente data, não é conclusiva e os treinadores de elite conferem um grau variável de importância a referida prática. No entanto, a maioria concorda que, embora não haja garantia do benefício, malefício não haverá.
Minha recomendação pessoal é considerar a crioterapia como qualquer outra parte de seu programa de treinamento – experimente o banho de gelo por um período em sua temporada e veja como seu corpo responde.
Por ser um território ainda desconhecido para muitos, acho válido tecer algumas orientações gerais a fim de garantir uma experincia segura com essa terapia:

• SIM: Seja conservador com a temperatura da água quando você começar. A maioria dos especialistas em reabilitação recomenda uma temperatura da água entre 12 e 15 graus Celsius ou 54 a 60 graus Fahrenheit. Evolua gradativamente a cada exposição.

japa

• SIM: Fique dentro de sua zona de conforto pessoal e considere em investir em booties (aquecedores de dedo do pé feitos de material de wetsuit) como os dedos dos pés são susceptíveis a parte do corpo mais sensível a ser submersa. Lembre-se que cada indivíduo tem seu próprio limite de frio.

• NÃO: Exposição muito longa! O tempo recomendado é de 6 a 8 minutos. A não ser que esteja sendo supervisionado ou tenha história com banhos de gelo, não exceda 10 minutos.

• NÃO: Quanto mais frio, melhor! Não é com mentalidade que se deve fazer a crioterapia. Afinal, passar um período de tempo prolongado em água mais fria do que 12 graus pode ser perigoso.

• NÃO: Jatos mais frios. Esteja ciente de que água em movimento é a água mais fria. É uma situaçãosimilar ao vento frio criado quando você pedala. Se houver jatos em seu banho de gelo, a água mais aquecida que está em contato com a superfície da pele é empurrada para longe, e a água jateada será, com certeza, mais fria do que aquela medida pelo termômetro.

• NÃO: Tentativas arriscadas de simplificar. Se submeter a um banho de gelo pessoal diário pode ser uma tarefa assustadora. Procure uma academia ou clinica fisioterapica que tenha um tanque frio, ou use tambores de água gelada, sempre controlando a temperatura da mesma.

• NÃO: Uma ducha quente imediatamente após o banho de gelo. O efeito de arrefecimento residual e aquecimento gradual são ideais. Considere como opções de aquecimento iniciais vestir um agasalho, ou ficar sob um cobertor.

Com essas orientações, a crioterapia pode ser um válido instrumento para a recuperação do atleta que, em momento algum, pode ser colocada de lado. Afinal, ao lado de uma planilha bem elaborada com previsão de treinamento funcional, um bom planejamento nutricional, o proceso de recuperação ajudará a manter o atleta sem lesões, e, consequentemente, permití-lo ser consistente nos seus treinos e alcançar a meta proposta.

5cdef99f5e2adc8a6f082ddbfdc15516recovertexto2

WWW.BYJAPAO.COM.BR
CONSULTOR TÉCNICO DA BY JAPÃO ASSESSORIA ESPORTIVA
FACEBOOK = JAPAO CARVALHO

Veja também

Comentários